segunda-feira, 20 de agosto de 2007

While my eyes go looking for flying saucers in the sky

É estranho como às vezes as pessoas inventam cores, cheiros, gostos e todo o resto pro que sonham conhecer. E mais estranho ainda é como, no fim das contas, era tudo imaginação, afinal. A Tower Bridge não tem mais luzes que a Ponte Rio-Niterói, o pão francês não tem mais gosto que o da Rio Lisboa, os campos suíços não são mais verdes que os de São Paulo e nem o mar da Espanha é mais molhado que a praia de Copacabana. Mas eu inventei tanta coisa que acabei me perdendo.

Quando cheguei a Londres, só me vinha uma coisa na cabeça: que aquela era a pior cidade do mundo. O primeiro dia foi horrível. Me vi morando num quarto pequeno numa casa na puta que pariu, sem dinheiro pra táxi, sem ter idéia de ônibus, de trem, sem metrô perto, sem amigos perto, sem minha mãeemeupai perto, sem porra nenhuma. E tudo era cinza. Muito cinza.

E aí que eu tava numa depressão só. Na primeira noite o Felipe me chamou pra das umas voltas e aí foi aquele desespero. Perguntei à dona da casa como chegar no tal lugar, e ela me disse três nomes de estações que eu esqueci e me apontou o trem que eu não vi. No fim, quando consegui, só queria saber de encher a cara, mas pagando em pounds não dá, né.

E a noite terminou pior que começou. Depois de meia-noite só nightbus, e eu não sabia nem pra que lado ficava minha casa. Peguei um maldito táxi que me custou todos os pounds que eu não tinha querido gastar durante a noite. E, claro, até aí eu ainda não tinha visto nada da cidade. Nem ponte, nem relógio, nem roda gigante e nem mesmo o rio. Só aquele subúrbio morto de casas todas iguais.

No dia seguinte eu peguei o trem pela primeira vez. Segundo as instruções que me foram dadas, eu deveria trocar de linha em Waterloo. Waterloo, porra. Até que enfim eu veria algo interessante. Eram umas nove da noite de uma sexta-feira e a cidade parecia muito viva perto da área central, ao contrário de onde eu morava. E, de repete, quando eu menos esperava, a Tower Bridge apareceu, gigante, toda iluminada, do meu lado direito. Nessa hora eu me dei conta que aquilo tudo era Londres. Não era como nos meus sonhos, tinha casas feias em subúrbios mortos, mas tinha alguma magia também.



E então passou-se um mês sem que pudéssemos ver uma nuvenzinha sequer no céu.

ps: Foto ilustrativa que eu encontrei no Google porque eu me amarro nessa ponte.

2 comentários:

Anônimo disse...

nossa , não acredito que sej tão ruim assim como você falou , creio que possa ter acontecido uma decepão de londrs não sr aquilo que você imaginava , ja fui pra la uma vez e fui sozinha é um lugar maravilho , no começo é meio difiicl claro , mais nada demais .. enfim :D

Anônimo disse...

nossa , não acredito que sej tão ruim assim como você falou , creio que possa ter acontecido uma decepão de londrs não sr aquilo que você imaginava , ja fui pra la uma vez e fui sozinha é um lugar maravilho , no começo é meio difiicl claro , mais nada demais .. enfim :D